Colaborador do Vieira é entrevistado por jornal

Diretor de Gestão de Pessoas, Sérgio Silveira, falou sobre o perfil dos novos profissionais

No dia 12 de fevereiro, o diretor de Gestão de Pessoas do Colégio Antônio Vieira, Sérgio Silveira, foi entrevistado pelo jornal A Tarde, de Salvador (BA). Com pós-graduação em Gestão Educacional e MBA em Gestão de Recursos Humanos, o também professor Silveira, falou sobre as novas tecnologias e o perfil dos futuros profissionais. Confira abaixo a entrevista:

 

Por Joyce de Sousa

Com o advento das novas tecnologias, em meio a um contexto de crises financeiras e institucionais tanto no Brasil quanto em blocos econômicos, como a União Europeia, qual deve ser o perfil do profissional atual visando o futuro?

Estamos vivendo um contexto de profundas e irreversíveis mudanças que afeta a todos nós e exige, sobretudo do profissional do século XXI, um olhar atento aos acontecimentos que o cercam, seja nos cenários político, econômico ou social. Neste sentido, uma das características que esse profissional precisa ter é a capacidade de reinventar sua forma de atuar, ou seja, o contexto atual aponta para a necessidade de buscar novas formas de empreender, procurar alternativas, criar possibilidades, desenvolver a capacidade de realizar multitarefas, pensar em soluções plurais e circulares em que o novo é reinventado a cada instante.

 

Muito se fala da necessidade de novas formas de empreender, de reinventar os negócios. Como se preparar para a realidade atual, diante de cursos e interesses tradicionais?

É o caso de quem pensa seguir carreira como advogado ou contador, ou mesmo seguir carreira de empresário, mas num ramo tradicional, como a panificação, por exemplo… O contexto atual pede respostas novas para os novos tempos. Por esse motivo, outro aspecto que se apresenta como imprescindível ao profissional de hoje é a busca constante por capacitação e aperfeiçoamento. Para formar um bom profissional não basta apenas a graduação, faz-se necessário pensar em novos cursos, agregar novos saberes, atualizar-se, inteirar-se acerca de outras formas de agregar valor ao seu negócio ou à sua profissão. Por exemplo, um contador pode reforçar sua formação em cursos que o habilitem para a controladoria ou auditoria, isto é, pode agregar outros serviços, habilidades e competências à sua profissão. Outro exemplo, quem se especializou no ramo do comércio/serviço pode expandir seu negócio diversificando a oferta de novos produtos e/ou serviços além daqueles já oferecidos.

 

Até que ponto o avanço das tecnologias da comunicação (antes vistas como impactantes apenas para os que atuam na área) passou a ser essencial para os profissionais de ramos diversos? Como vencer essa “barreira” para quem passou a maior parte da vida profissional seguindo procedimentos hoje tido como “antigos”?

É sabido que os nascidos antes da década de 1990 são considerados “migrantes digitais”, ou seja, saíram de uma era em que a tecnologia, na forma como temos hoje, era quase ficção científica e entraram na verdadeira era digital. Hoje a tecnologia dá o tom da eficiência, agilidade na análise de dados e controle dos processos, de modo que a imperiosa necessidade de adaptar-se e incorporar o aparato tecnológico ao seu fazer é imprescindível a este novo perfil de profissional. É necessário compreender que se não houver abertura para novas formas de atuar considerando o uso das tecnologias não haverá possibilidade de permanecer em condições de empregabilidade, portanto há que se atualizar, ressignificar sua prática, reciclar-se e, em muitos casos, repensar seus conceitos. Mesmo com tanta tecnologia que nos cerca, existe ainda alguma característica do bom profissional tradicional que ainda se sobreponha aos avanços advindos com a tecnologia da informação? Evidente que sim! Costumo dizer que por detrás de um excelente processo existe sempre uma pessoa. Nesta perspectiva, a capacidade de relacionar-se com os outros é umas das características mais importantes na contemporaneidade. O tempo das “estrelas solitárias” já não existe mais, o que existe é a rede! A capacidade de estabelecer relações positivas tem sido um dos grandes diferenciais entre os profissionais. Dela advém a possibilidade do sucesso coletivo, das inovações, das novas descobertas, das trocas. Aprender a relacionar-se foi e sempre será, a meu ver, o grande trunfo dos profissionais de sucesso.

 

Na prática, qual a importância do uso da inteligência emocional para o crescimento das relações profissionais também nos dias atuais?

Uma das características que considero mais importante na inteligência emocional é a capacidade de conviver com a diversidade, com o diferente. Perceber que o outro não é uma ameaça, mas possibilidade de novas construções. Neste sentido, é necessário buscar conhecer-se, reconhecer seus sentimentos, limitações, potencialidades e permitir-se conhecer as do outro também. Quanto mais se explora essa inteligência, muito maior é a possibilidade do exercício de uma liderança afirmativa, capaz de exercer o autocontrole diante das tomadas de decisão e resolução de conflitos.

 

Fonte: Colégio Antônio Vieira (Salvador/BA)