Sinos de missões jesuíticas são identificados no RS

Pesquisador da PUCRS descobre a história dos objetos que se encontram em Caçapava do Sul

Diariamente, dois sinos de missões jesuíticas do século 18 badalam na Paróquia Nossa Senhora da Assunção, no centro da cidade de Caçapava do Sul (RS). Suas origens, até então desconhecidas, foram desvendadas por uma pesquisa do professor da Escola de Humanidades Édison Hüttner, coordenador do projeto Arte Sacra-Jesuítico-Guarani da PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), em conjunto com o padre Rudinei Lasch, pároco da Igreja, e o pesquisador Éder Abreu Huttner.

Segundo os estudos, os sinos foram fundidos nos anos de 1715 e 1732, data anterior à da própria criação oficial do Rio Grande do Sul. Ambos estiveram em disputa na Batalha de São Carlos, na época província paraguaia, e eram objeto de cobiça do império brasileiro sob a expectativa de que tivessem ouro e prata em suas composições. O Laboratório Central de Microscopia e Microanálise da PUCRS revelou, no entanto, de que ambos foram feitos em bronze.

Um dos sinos mede 70cm x 70cm e tem impresso, em números romanos, os anos de 1714 e 1715, além de mostrar dizeres, em latim, que pertencem ao povo de São Carlos, atualmente província de Corrientes, na Argentina. Já o segundo sino, de 1732, tem impresso, além do ano, seu local de fundição: a redução jesuítica de La Santísima Trinidad do Paraná, tombada pela Unesco, em 1993, como patrimônio da Humanidade e, hoje em dia, pertencente ao Paraguai. O nome do fundidor, o índio Iganatius Guarepi, também aparece impresso. A análise de Hüttner também identificou que os dois objetos possuem semelhanças com outros sinos missioneiros, como a tipografia impressa e símbolos de cruzes formadas por pequenos losangos.

A Paróquia abriga ainda um terceiro sino, brasileiro, fabricado no ano de 1950, e o entoar dos três sinos – argentino, paraguaio e brasileiro – representa a união da história dos países. Hüttner pretende levar o estudo ao conhecimento das nações que também participam dessa narrativa e afirma que essa descoberta é muito importante para a identificação da população de Caçapava do Sul com a própria cidade. Clique aqui e saiba mais sobre os sinos na matéria do Jornal Bom Dia Rio Grande, da RBS TV, afiliada da Rede Globo.

 

 

Fonte: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul