CEPAT promove debate sobre os biomas brasileiros

O ambientalista Roberto Malvezzi foi um dos especialistas convidados para o evento

A riqueza e a biodiversidade nos biomas brasileiros são imensas, mas os desafios frente a sua sistemática dilapidação são gigantescos. Buscar alternativas a esse sistema predatório é mais que urgente. “Não podemos abdicar de nossa tarefa”, afirmou o ambientalista Roberto Malvezzi, que participou do 4º encontro pelo Ciclo de debates Brasil: conjuntura, dilemas e possibilidades, no dia 5 de agosto. O evento é promovido pelo CEPAT (Centro de Promoção dos Agentes de Transformação), em parceria com o Núcleo de Direitos Humanos da PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná), Cáritas Regional Paraná e apoio do IHU (Instituto Humanitas Unisinos).

No encontro, Malvezzi discorreu sobre a temática Análise dos biomas brasileiros: da biodiversidade à espoliação. E, em sintonia com a Campanha da Fraternidade 2017, que tem como tema Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida e lema Cultivar e guardar a Criação, ele refletiu a respeito da vital importância de se conhecer, preservar e lutar em defesa dos biomas. O ambientalista não iniciou sua fala a partir dos imensos desafios atuais frente à espoliação de nossos biomas, mas, sim, resgatando o sentido mais profundo da vida, que é o mistério. Para além de todos os avanços científicos, a vida segue sendo um mistério. Diante de tal mistério, cabe a reverência profunda, o respeito e a acolhida de tal gratuidade.

Malvezzi destacou os elementos acerca dos seis biomas brasileiros e enfatizou a riqueza étnica e cultural do povo brasileiro em cada um dos biomas, ressaltando a resistência das comunidades tradicionais: índios, quilombolas, ribeirinhos, entre outras. Bioma é “um conjunto organizado de vidas, em um espaço contínuo, com clima semelhante, com solo semelhante e relevo semelhante”, definiu.

Segundo o ambientalista, um dos grandes desafios de um país tão rico em biodiversidade como o Brasil, mas ao mesmo tempo com intensa concentração demográfica nas áreas urbanas, é fazer com que aqueles que vivem nas cidades compreendam que também pertencem a um bioma e que a preservação deste é vital para a continuidade da vida de todos. “Muitos só se lembram da importância da água, quando a mesma falta em sua torneira”, lembrou Malvezzi, ao destacar como a preocupação com a preservação de nossos biomas ainda passa distante das inquietações ordinárias das pessoas.

Para ele, o ciclo das águas brasileiras é apenas um dos exemplos apresentados acerca da centralidade dos biomas brasileiros. A partir dele, Malvezzi enfatizou como os biomas brasileiros são interdependentes para a produção de chuvas: “Sem a Amazônia não há produção de chuvas. Sem o cerrado não há aquíferos para abastecer as bacias brasileiras. Sem a Amazônia ou o Cerrado não há o Rio São Francisco tal qual o conhecemos. Sem a Amazônia e o Cerrado a região Sudeste [área de maior concentração urbana do país] se transforma em deserto”.

Além de ambientalista, Malvezzi é filósofo, teólogo, escritor e compositor, uma pessoa forjada na luta que, desde inícios dos anos 1980, enraizou-se no nordeste brasileiro. Atualmente, ele reside em Juazeiro (BA), mas percorre todo o país, promovendo encontros, debates e oficinas. Com longa passagem pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) e sempre muito ativo no trabalho de assessoria junto à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), hoje, está empenhado no fortalecimento das ações da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM).

 

Fonte: CEPAT (Curitiba/PR)