Campanha global sobre o acesso à educação envolve alunos do Colégio Anchieta (RS)


O acesso à educação é um tema da agenda mundial que necessita de atenção e de iniciativas que propiciem a reflexão e um caminho para a busca de possíveis soluções. De acordo com dados de 2016 da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), 263 milhões de crianças e jovens de todo o mundo estão fora da sala de aula, sendo que, desses, 61 milhões são crianças de 6 a 11 anos.

Diante dessa realidade, a plataforma Educate Magis, a ONG jesuíta Entreculturas, o Friends Of Fé y Alegria dos Estados Unidos e o Edujesuit iniciaram, em 2012, um movimento global para defender o direito de crianças e adolescentes de frequentarem a escola. A campanha ganhou o nome de La Silla Roja, ou A Cadeira Vermelha, e faz um alerta para a importância de uma educação inclusiva e de qualidade, que procure atender as necessidades de cada um e leve em consideração o direito de ser diferente. A ideia é espalhar cadeiras vermelhas a fim de chamar a atenção para a causa.

Sensibilizados pelas histórias de crianças que não possuem a mesma oportunidade de aprender coisas novas todos os dias em uma sala de aula, os alunos do 4º Ano do Colégio Anchieta, de Porto Alegre (RS), foram convidados a refletir sobre o assunto e participar da campanha.

O desafio foi lançado pela Orientadora Educacional do 1º ao 5º ano, Márcia Schivitz, junto com as professoras do 4º Ano. Antes de partir para a ação, segundo Márcia, os alunos refletiram sobre os direitos da criança e também contaram com a ajuda da família nesse processo. “Iniciei a sensibilização dos representantes de turma, que refletiram sobre a importância do Dia Mundial dos Direitos da Criança para todas as crianças do mundo. A ideia foi compartilhada em sala de aula e as professoras desenvolveram um trabalho com os alunos solicitando ajuda da família. A reflexão foi ampliada e todos saíram ganhando!”, explicou.

 

COLOCANDO A MÃO NA MASSA

Depois do trabalho em sala de aula, os alunos assistiram aos vídeos da campanha para entender um pouco mais sobre o contexto global e, em grupos, criaram cartazes com imagens que remetessem à infância, destacando um direito fundamental de toda criança. O Projeto Cadeira Vermelha perpassou todos os conteúdos e ações desenvolvidas ao longo do 4º ano, além de ter possibilitado que os alunos conhecessem a história da ativista Malala Yousafzai [saiba mais abaixo, no final do texto] por meio da dramatização de duas alunas do 5º ano, Julia Carvalho e Luisa Dihl.

Ao final da atividade, os alunos dirigiram-se a uma área externa para fazer a pintura das cadeiras, que foram colocadas em suas salas de aula para marcar a participação na campanha e não esquecer de tantas crianças que ainda sofrem por não poder estar usufruindo de seu direito de aprender.

Para os alunos, o trabalho foi importante na medida em que possibilitou que eles passassem a refletir sobre o assunto e conhecessem uma realidade diferente [confira o depoimento dos alunos no vídeo ao lado]. A aluna Eugênia Vasconcelos afirmou que esse projeto foi muito importante para o aprendizado da turma sobre a falta de acesso à educação. “Essas crianças fariam de tudo para vir ao colégio pelo menos um dia. E nós temos esse privilégio, temos que agradecer, parar e pensar sobre o que está acontecendo. Se todo mundo fizer isso, podemos salvar essas crianças”, garantiu.

Já Sofia de Oliveira contou que esse trabalho possibilitou refletir sobre a situação de vida dessas 61 milhões de crianças. “E refletindo, conseguimos perceber que elas estão sem escola, algumas sem família, algumas tendo até que trabalhar, mas a única obrigação delas deveria ser ir para a escola”, pontuou.

               

MALALA YOUSAFZAI

Malala Yousafzai ficou conhecida em 2009 ao escrever para a BBC o blog Diário de uma estudante paquistanesa, sobre as dificuldades que enfrentava para estudar na região noroeste do Paquistão, onde o Talibã proibia as meninas de irem à escola e mais de 60% das mulheres eram analfabetas.

Malala defendeu o acesso das mulheres à educação formal e criticou abertamente o Talibã, ganhando prêmios e conseguindo das autoridades políticas melhorias para as escolas da região. Porém, em 2012, foi atingida na cabeça por um tiro de um extremista talibã no momento em que seguia para a escola.

Ela recebeu tratamento médico no Reino Unido, onde mora atualmente com a família. Por seus esforços em prol de uma educação gratuita e universal para todos, em 2014, aos 17 anos, tornou-se a pessoa mais jovem a receber o Prêmio Nobel da Paz e a ONU declarou a data de seu aniversário, 12 de julho, como o Dia Malala.

 Hoje, Malala mantém uma fundação que tem como objetivo proteger o direito das meninas a educação gratuita, segura e de qualidade, em países como Paquistão, Afeganistão, Índia, Nigéria e os que abrigam refugiados sírios, como Líbano e Jordânia.

Quer saber mais sobre esse trabalho? Acesse www.malala.org.

 

 Fontes: Colégio Anchieta (Porto Alegre/RS), www.ikmr.org.br e G1