MISSÃO

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Estabelecer relações justas com Deus

Segundo o Decreto 3, da 35ª Congregação Geral (2008), é esse o primeiro nível em que os jesuítas, como servidores de Cristo, são convidados a trabalhar.

Como ajudar as pessoas de hoje em sua luta para encontrar sentido para suas vidas numa cultura dominante caracterizada pelo subjetivismo, pelo relativismo moral, pelo hedonismo e pelo materialismo prático?

Como ampliar, em todos os nossos ministérios, um espaço de diálogo e reflexão contínuos sobre a relação entre fé e razão, cultura e moral, fé e sociedade?

Como ajudar as pessoas, em um mundo de muitas religiões e culturas, a desenvolver uma vida cristã harmoniosa?

Os Exercícios Espirituais de Santo Inácio representam hoje notável ajuda para muitos de nossos contemporâneos.

Estabelecer relações justas com os outros

Segundo o Decreto 3, da 35ª Congregação Geral (2008), é esse o segundo nível em que os jesuítas, como servidores de Cristo, são convidados a trabalhar.

Embora, em nosso mundo globalizado, muita gente pobre tenha saído da pobreza, o desnível entre ricos e pobres tem aumentado, tanto dentro dos países como no plano internacional.

Interesses transnacionais, à margem das leis nacionais e, com frequência, favorecidos pela corrupção, saqueiam os recursos naturais dos pobres.

A violência, a guerra e o tráfico de armas têm sido fomentados por grupos econômicos muito poderosos.

Como podemos olhar o mundo da perspectiva dos pobres e marginalizados, aprendendo com eles, agindo com eles e a seu favor?

Como podemos estender pontes entre ricos e pobres, estabelecendo vínculos no terreno da incidência política para a colaboração entre aqueles que têm o poder e os que encontram dificuldades para fazerem ouvir seus interesses?

Estabelecer relações justas com a criação

Segundo o Decreto 3, da 35ª Congregação Geral (2008), é esse o terceiro nível em que os jesuítas, como servidores de Cristo, são convidados a trabalhar.

O cuidado com o Meio Ambiente afeta a qualidade da nossa relação com Deus, com os outros seres humanos e com a própria criação.

A maneira de acesso às fontes de energia e a outros recursos naturais e sua exploração está aumentando rapidamente os danos ao solo, à água e ao meio ambiente em seu conjunto.

Como promover estudos e práticas orientadas a enfrentar as causas da pobreza e a melhorar o meio ambiente?

Como inserir incidência política e pesquisa a serviço dos pobres e dos que trabalham na proteção do meio ambiente?

Como convidar todo o mundo a apreciar mais profundamente a nossa aliança com a criação e a agir, consequentemente, com sua própria responsabilidade política e profissional e com seu próprio estilo de vida?

VISÃO

A Companhia de Jesus foi fundada na Europa, na metade do século XVI. Inácio de Loyola e seus nove companheiros eram um grupo internacional de sacerdotes formados em espiritualidade e em teologia. Depois de terem refletido em clima de oração, decidiram obedecer a um deles, considerando-o como seu Superior e, por unanimidade, elegeram Inácio. Logo depois, ofereceram-se ao Papa Paulo III, dispostos a aceitar serem enviados por ele aonde ele quisesse. Isso porque criam fortemente que o Santo Padre, sendo vigário de Jesus Cristo na terra, tinha maior visão do conjunto das necessidades da Igreja no mundo inteiro.

Todos eles viveram a profunda experiência dos Exercícios Espirituais, que Inácio havia escrito, e decidiram consagrar suas vidas a Jesus Cristo. Por essa razão, escolheram o nome de Companhia de Jesus para sua nova congregação.

Esse desejo de servir a Cristo por meio de seu representante, o Papa, concretiza-se no assim chamado Quarto Voto dos jesuítas. Esse voto consiste em estar dispostos a aceitar qualquer missão que venha do Papa.

Apesar de hoje as condições sociais e econômicas em várias partes do mundo serem bastante diferentes do que acontecia em tempos de Inácio, os jesuítas de todos os continentes estão recebendo sólida formação espiritual, inclusive vivendo um retiro de 30 dias no início e no final da formação, isto é, os Exercícios Espirituais de Inácio. Todos os jesuítas colocam-se à disposição para seguir a Jesus Cristo, na Igreja e no mundo de hoje.

Durante a 35ª Congregação Geral da Companhia de Jesus (janeiro – março/2008), o Papa Bento XVI confiou aos jesuítas a missão de levar o Evangelho às “fronteiras” da fé, da cultura e da sociedade civil. O Santo Padre expressou a sua confiança e a de toda a Igreja na capacidade que a Companhia de Jesus tem de levar a cabo essa missão.

VALORES

Imprimir as pegadas de Deus em toda a parte, sabendo que o Espírito de Cristo está ativo em todos os lugares e situações; em todas as atividades e mediações que procuram torná-Lo mais presente no mundo. A espiritualidade leva-nos a sujar os pés e as mãos nas favelas, nas regiões pobres, a gastar o corpo em vista dos demais. O ESPÍRITO a animá-la escreve-se em caixa alta e chama-se terceira pessoa da Trindade. Ela envolve-nos todos por dentro, move-nos o coração a lançar-se com coragem na entrega diária aos irmãos. Não há espiritualidade sem práxis cristã em que a pessoa inteira compromete-se com a transformação da realidade na linha da paz e da justiça.

O olhar profundo atravessa a percepção dos cinco sentidos. Esses captam o exterior, as flores, as cores. A profundidade vai ao interior, à seiva, ao artista que gera a exterioridade. Nesse movimento, esbarramos no mundo do sentido maior que nos ilumina o pensar e nos motiva o agir. Em mergulho ainda mais fundo, tocamos a última fonte de toda realidade: o Sentido radical. Na fé cristã, chamando-o de Trindade. Atingimos a maior profundidade quando nos achegamos ao amor trinitário. Aí repousa o espírito.

A palavra vai e volta. Ao ir, leva; ao voltar, traz. No encontro dialogal, os dois lados crescem. Se saírem como entraram, não dialogaram. Quando nos abrimos ao outro, habita-nos dupla experiência: a nossa identidade tem algo a dizer, enriquecendo o outro; e tem também limite a ser superado pela contribuição do outro. Em cada outro, na fé, experimentamos a presença do Outro divino. Todo diálogo fala de Deus, porque acreditamos no dom que Ele nos fez, derramou sobre o outro e transborda dos dois lados.

Contemplativos na ação, amor que se manifesta em obras, ações, dedicação.

Imagem de distância, de desafio, de combate, de limite. A distância chama-nos para longe de onde estamos. Nada de ficar parado. O desafio arranca-nos da inércia espiritual, nada de acomodação. O combate chama-nos a enfrentar dificuldades, nada de medo e covardia. O limite permite-nos duas atitudes: humildade e ousadia. A humildade lembra-nos de que há fronteiras intransponíveis. Não somos onipotentes. A ousadia pede o contrário, que avancemos além delas. Fazemo-lo porque sabemos em quem confiamos (2Ti 1,12).

No sentido de ajudar o outro, crescer chama-se cuidado. Palavra carregada de sentido. Implica dois olhares. Volta-se para o outro a fim de lhe captar o coração, a vida, as alegrias, as dores. O outro percebe-se entendido, compreendido. Já se sente tocado. O segundo olhar destila amor. Perceber-se compreendido e amado atinge tão fundo a pessoa que ela se desembaraça das amarras e encontra em si forças para desenvolver-se. Verdadeiro nascimento. Tudo começa de novo, já agora sob o olhar da acolhida e do cuidado.